euforia da torcida do Flamengo com a chegada de Conca no começo do ano, por ora, não passou apenas de expectativa. Principal contratação do primeiro semestre do ano, o meia não conseguiu conquistar o espaço esperado quando enfim pôde atuar. Pelo contrário, acabou perdendo e sequer viajou para o Chile nesta segunda-feira.

Ele ficará fora da estreia da equipe na Sul-Americana, nesta quarta-feira, diante do Palestino. Zé Ricardo relacionou 20 jogadores para a viagem – e vai cortar dois para a lista de 18 do jogo. Na chegada a Santiago, o diretor de futebol Rodrigo Caetano disse que não há proposta por Conca e que o jogador vai cumprir o contrato.

– Conca não veio por decisão da comissão técnica. Só podem ser relacionados 18 para a partida. Mas não existe nada por ele. Esperamos que cumpra o contrato conosco, colaborando quando solicitado pela comissão técnica e com o mesmo profissionalismo que vem demonstrando sempre – disse Rodrigo Caetano, na chegada da delegação rubro-negra ao Chile.

O contrato de empréstimo é até dezembro. Nos bastidores, há desconforto do jogador com a falta de oportunidades, o que não é privilégio de Conca. Jovens da base e outros atletas – como Mancuello e Rômulo também vem atuando pouco.

O departamento de futebol considera normal que jogadores recebam poucas chances num grupo qualificado como o do Rubro-Negro. Caetano diz que o jogador não manisfestou incômodo algum e tampouco houve sondagens de outros clubes interessados em Conca.

Recentemente, o argentino causou mal-estar ao pedir para ser relacionado contra o Botafogo, não ser atendido e faltar a um treino no clube. A comissão técnica avalia que Conca está ainda abaixo da melhor forma física, com dificuldades de chegar ao nível ideal de competição.

A chegada de reforços – sobretudo Éverton Ribeiro – influenciou para as poucas chances de Conca entre os titulares do Flamengo desde que foi liberado para atuar. No entanto, a questão física é o principal empecilho.

Aos 34 anos, ele ainda sente o peso do tempo parado por conta da lesão no joelho (foram 10 meses fora de ação). Os jogos-treinos no CT do Ninho do Urubu, recentemente, mostraram mobilidade abaixo do normal no antigo meia-armador, leve e rápido com a perna esquerda.

Entenda a trajetória de Conca em 2017:

A chegada

Conca foi anunciado como reforço nos primeiros dias do ano. O acordo de empréstimo até o fim de 2017 entre o clube chinês e o Flamengo previa a recuperação do camisa 19 na estrutura do CT do Ninho do Uurubu.

Conca em sua chegada no Flamengo. Festa desde o aeroporto (Foto: Gilvan de Souza/Divulgação Flamengo)

Conca em sua chegada no Flamengo. Festa desde o aeroporto (Foto: Gilvan de Souza/Divulgação Flamengo)

A recuperação

O argentino se apresentou no CT do Flamengo junto com o restante do elenco no dia 11 de janeiro. Desde de então, cumpriu todas as etapas de recuperação com os profissionais tanto do Flamengo quanto alguns do clube chinês que foram enviados para acompanhar o trabalho no Rio de Janeiro. Em menos de dois meses já trabalhava com bola. Em maio, já estava integrado e na fase final do processo de recuperação.

Conca faz trabalho físico em treino do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo) Conca faz trabalho físico em treino do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Conca faz trabalho físico em treino do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Instatisfação com a espera

No mês passado, o meia protagonizou uma saia justa dentro no elenco. Por se sentir pronto para enfim estrear com a camisa rubro-negra, Conca se incomodou ao não ser relacionado para o clássico contra o Botafogo (dia 4/6). Depois de saber que ainda não jogaria, faltou o treino de sábado – véspera do jogo – e foi notificado pelo clube.

Chegada de reforços: menos espaço para Conca

A chegada de reforços na janela do meio do ano – principalmente Éverton Ribeiro – também abalou o momento do meia no Flamengo. Discreto, Conca viu o camisa 7 ser recebido com festa e rapidamente conquistar espaço. Ou seja, ainda menos chance para o camisa 19 atuar e ganhar ritmo.

Só 26 minutos

Conca atuou pela primeira vez com o Flamengo na vitória sobre a Ponte Preta (2 a 0), na Ilha do Urubu. Atuou por 11 minutos. Na rodada seguinte, também pelo Brasileirão, jogou 15 minutos no clássico contra o Fluminense. Diante do ex-clube, levou cartão após entrada dura em Orejuela no fim do confronto. Pouco conseguiu mostrar.