Início Economia Bolsas europeias afundam após restrições de viagens impostas por Trump

Bolsas europeias afundam após restrições de viagens impostas por Trump

Bolsas

As principais Bolsas da Europa registram fortes baixas nesta quinta-feira (12), horas depois do anúncio do presidente americano, Donald Trump, que suspendeu por 30 dias viagens de estrangeiros procedentes de Europa aos Estados Unidos, numa tentativa de travar a rápida propagação do coronavírus.

Por volta das 9h50 (horário de Brasília), o índice FTSE-100 de Londres perdia 5,75%. Na Alemanha, o Dax de Frankfurt cedia 5,96%. Na França, o CAC 40 de Paris recuava 6,22% e, em Madri, o Ibex 35 recuava 5,62%, segundo dados da Bloomberg.

No mês, a queda acumulada já se aproxima a 30%. O índice de referência STOXX 600 atingiu o nível mais baixo em quase 4 anos.

As ações de viagem e lazer despencavam 9,9%, no menor nível desde 2013, com Air France KLM, Lufthansa e IAG perdendo entre 11,4% e 13,5%. O setor agora já perdeu mais de um quarto de seu valor este mês, segundo a Reuters.

Trump anunciou outras medidas para sustentar as empresas norte-americanas e promover o crescimento, mas alguns investidores não se mostraram convencidos de que a economia global pode se recuperar rapidamente conforme crescem as preocupações de que o número de infecções pode aumentar rapidamente em todo o mundo.

“Os mercados estão muito nervosos. Estamos potencialmente olhando para uma recessão”, disse Carlos Casanova, economista do Coface.

No radar dos investidores nesta quinta está também a reunião do Banco Central Europeu. A expectativa é que sejam anunciadas novas medidas de estímulo para ajudar a proteger a economia do choque causado pelo pandemia de coronavírus.

Empresas projetam prejuízos

Juntando-se a uma lista crescente de vítimas corporativas do surto, a WH Smith previu uma perda de 40 milhões de libras para o lucro anual, enquanto a operadora de lojas em aeroportos Dufry afirmou que que deverá cortar postos de trabalho depois de registrar uma queda de 7,3% nas vendas orgânicas. As ações das empresas caíram 17% e 16,8%, respectivamente.

Já a operadora de cinema Cineworld afundou 20% depois de ter dito que o pior cenário para o surto do vírus poderia lançar dúvidas sobre sua capacidade de continuar como uma preocupação contínua, destaca a Reuters.

Bolsas asiáticas fecham em queda

As bolsa europeias registram a mesma tendência dos mercados asiáticos, que fecharam com baixas significativas. A Bolsa de Tóquio fechou em queda de 4,41% e a de Hong Kong 3,66%.

Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,92%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 1,52%. Ambos fecharam nos menores níveis desde 28 de fevereiro, perto da mínima de duas semanas.

Em Seul, o índice KOSPI teve desvalorização de 3,87%. Já em Sydney, o índice S&P/ASX 200 tombou 7,36%.

Petróleo segue em queda

Os preços do petróleo caem em torno de 6% nesta quinta. Às 9h50 (horário de Brasília), o petróleo Brent recuava 2,19 dólar, ou 6,12%, a US$ 33,60 por barril. O petróleo dos Estados Unidos caía 2,05 dólar, ou 6,22%, a US$ 30,93 por barril.

Por volta das 7h15, o barril do tipo Brent era negociado a US$ 33,78, em Londres, em queda de 5,62% em relação ao fechamento do dia anterior.

Os dois contratos de referência do petróleo caíram cerca de 50% desde máximas tocadas em janeiro.