Por: Ricardo Gebeluca | 02/08/2018

Vivemos em uma sociedade altamente consumista onde para estar inserido em certo “meio social” é importante ostentar, os valores éticos e morais foram se perdendo ao longo do tempo. A cidadania está renegada a segundo plano, nas escolas disciplinas que ajudavam na formação do caráter da criança e do adolescente simplesmente foram extintas.

Durante o governo militar, mais precisamente em setembro de 1969, foi instituído no Brasil em caráter obrigatório a disciplina Educação Moral e Cívica (EMC) em todas as escolas por meio do Decreto-Lei nº 869. A disciplina tinha como finalidade desenvolver nos alunos o culto à Pátria, aos seus símbolos e tradições e preparar o jovem para o exercício das atividades cívicas com fundamento na moral e no patriotismo. Com o fim do Governo Militar a disciplina de EMC foi excluída da grade escolar.

Nos colégios militares, em ascensão atualmente, a EMC volta a fazer parte da grade escolar e o discurso desenvolvido pelos educadores militares é que palavras como obediência, respeito, autoridade e hierarquia são vocábulos que dizem respeito meramente ao civismo e ao patriotismo. Alguns sociólogos criticam tal afirmação dizendo que a disciplina de EMC aplicada nos colégios militares é restrita e desvirtuada, no sentido de que aponta uma cidadania voltada à obediência e respeito a um poder instituído, dificultando que o jovem pense e tenha uma formação crítica das coisas a ele apresentadas.

A verdade é que a Polícia Militar constantemente recebe pedidos de socorro de professores e diretores de escolas com relação a falta de educação de alguns alunos, chegando a casos de graves agressões entre educandos e também destes contra educadores.

Importante destacar que no Congresso Nacional tramitam treze documentos que abordam o ensino da educação para a moral e o civismo, da ética e cidadania e Organização Social e Política Brasileira, sendo 12 projetos de lei e uma indicação, apresentados pelos Congressistas. Acredito que a intenção dos idealizadores desses projetos é resgatar nas escolas alguns valores que foram esquecidos com a “redemocratização” do país.

Dito isso, posso destacar com prazer o projeto “Sou Estudante, Sou Cidadão”, idealizado pelo Capitão Tiago Teixeira Ghilardi, comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar de Camboriú, que teve início nesta segunda-feira, dia 30 de julho.  A cerimônia de abertura ocorreu na Escola CAIC Jovem Ailor Lotério, situada na Rua Monte Agulhas Negras, no Bairro Monte Alegre.

O projeto, que tem como objetivo mudar o referencial das crianças estudantes da escola e levar conceitos de civismo para o ambiente escolar recebeu apoio dos pais e responsáveis pelos alunos participantes, além de autoridades civis, militar e judiciário.

A banda do exército do 23º Batalhão de Infantaria, de Blumenau, esteve presente na abertura, executando o Hino Nacional, além de outras peças musicais. Também estiveram presentes no evento o prefeito Élcio Rogério Kuhnen, o Comandante do 12º Batalhão tenente coronel José Evaldo Hoffmann Júnior, a Juíza da Vara Criminal de Camboriú Naiara Brancher, membros da Secretaria de Educação, Conselho Tutelar e representantes da 43ª Subseção da OAB de Camboriú.

O projeto segue agora todos os dias, de segunda a sexta-feira, no horário vespertino, até o dia 30 de novembro. Os preceitos e valores repassados durante o desenvolvimento das ações entrarão nos lares, possivelmente reestruturando relações há muito perdidas e/ou desgastadas. Os alunos serão recepcionados por policiais militares, e na sequência, cantarão hinos cívicos, com o hasteamento da bandeira. Nas segundas-feiras, sempre haverá uma banda para fazer a execução dos hinos. Autoridades e representantes do executivo, legislativo, judiciário e empresas do terceiro setor estarão presentes, sobretudo na sexta-feira, a fim de transmitir uma mensagem aos alunos.

As ações não serão de cunho militar, e sim de forma a reforçar a cidadania e o civismo, há muito tempo esquecidos. A Polícia Militar permanece apenas como idealizadora e organizadora do projeto.

A Polícia Militar está à disposição para qualquer dúvida sobre o assunto abordado ou qualquer outra dúvida da comunidade.

POLÍCIA MILITAR. Segurança: por pessoas do bem, para o bem das pessoas

Por Capitão Rodrigues