Por: Ricardo Gebeluca | 22/06/2018

Em Içara uma recém-nascida morreu quase duas  horas depois do parto por causa de uma insuficiência respiratória. Vitória Valentina nasceu no dia 23 de maio no Hospital São Donato e de acordo com so pais Rudiney Sebastião Cardoso e Fabiana de Moraes, tudo poderia ter sido diferente caso o hospital tivesse mais cuidado no atendimento. O hospital afirma que a equipe de enfermeiros e médicos seguiu o protocolo preconizado pelo Ministério da Saúde em prestar o atendimento adequado.

Fabiana chegou ao hospital por volta de 18h45 com pressão alta. E Rudiney contou ao médico que na mesma manhã Fabiana havia passado pelo atendimento da obstetra que fez seu pré-natal. O casal disse que a obstetra recomendou para eles ficarem em alerta caso Fabiana sentisse algo de diferente e que não estava descartada a hipótese da mãe fazer uma cesária em caso de emergência.

Rudiney relata que pediu ao médico que chamasse a obstetra para um atendimento mais preciso porque o casal acreditava que era necessário realizar o parto naquele instante. “O médico não aceitou chamar a doutora”, relatou.

De acordo com o portal O Içara o médico disse que não proibiu o chamado da outra profissional, apenas orientou por motivações formais que não poderia fazer. “Outro profissional pode ser chamado, mas quem tem que entrar em contato é a família”,completa.

Foi quando Rudiney chamou a médica por conta própria. O pai da criança acredita que houve demora para realizar o procedimento por conta do comportamento do médico e por isso Fabiana teve descolamento da placenta gerando o quadro de insuficiência respiratória. Já o médico que atendeu Fabiana disse “o que ocorreu foi uma fatalidade. Um quadro devastador de descolamento de placenta que não há relação com o atendimento”.

Conforme o prontuário emitido pelo hospital, o médico teria dito à família que faria uma cesárea apenas havendo indicativo para tal e que não era o quadro daquele momento tendo que aguardar a evolução. “O fato de ela já ter tido uma cesárea não é indicativo de uma nova cirurgia em um parto. Pressão alta também não é”, relatou o médico.

Chegando ao hospital a obstetra iniciou os procedimentos para a realização da cesárea, que segundo Rudiney, que acompanhou todo o procedimento, foi de extrema dificuldade. “O nível de dificuldade foi tão grande que a obstetrab solicitou a presença de outro médico para auxiliar na retirada da criança, mas ele não precisou atuar”, disse.

Fabiana conta que na chegada da médica ao hospital outro problema enfrentado foi a falta da preparação prévia da sala de cirurgia para a realização da cesária. “Eu ouvi a médica perguntar a um vice-diretor do hospital por que não estava tudo pronto pra ela fazer o parto”, comentou.

Uma enfermeira disse que a obstetra foi até o hospital para avaliar o quadro de saúde da paciente. “Quando eu liguei para ela, ela não disse ‘estou indo para fazer a cesárea’”, contrapôs a enfermeira explicando o motivo pelo qual o hospital não teria deixado a sala de parto pronta para realizar o procedimento.

Para o casal a demora para iniciar a cesárea foi pura negligência do hospital pela falta de agilidade e sensibilidade em identificar aquilo que seria um quadro de cuidados especiais. Eles registraram  Boletim de Ocorrência na delegacia de Içara e prometem levar o caso adiante na justiça.

“Eu já recebi esse boletim e já instaurei procedimento. A nossa medida enquanto polícia é solicitar ao órgão que fiscaliza a atividade a averiguação do caso o que eu já fiz ao Conselho Regional de Medicina”, explicou o delegado local Rafael Iasco.

No hospital, conforme a gerente de enfermagem, foi instaurada uma auditoria interna para investigar se houve equívocos da equipe de enfermagem e posteriormente será feito o mesmo para investigar se houve equívocos do médico.

Contudo, a própria gerente de enfermagem, membro da equipe de auditoria, já antecipou no dia em que o portal O Içara foi recebido pela equipe do hospital, que num primeiro momento não houve erros. “Pelo que vimos do prontuário, está tudo dentro do protocolo e das normas institucionais”, relatou. Isso indica que a auditoria tende a ser finalizada sem a conclusão de ter havido qualquer tipo de negligência.

A obstetra também foi procurada pela reportagem, mas preferiu não se manifestar. A informação do hospital é que ela também será chamada para prestar esclarecimentos quando a auditoria chegar na etapa de investigar a atuação do médico que atendeu Fabiana. As informações são do portal Oi Içara.