Por: Ricardo Gebeluca | 10/02/2020

O resultado da cerimônia do Oscar que aconteceu neste domingo (9), no Dolby Theater, em Los Angeles, consagrou Parasita, primeiro longa sul-coreano a chegar na premiação americana, com a láurea mais importante da noite, de melhor filme. Foi a primeira vez que um longa de língua não inglesa, exibido nos Estados Unidos com legendas, venceu a maior categoria do Oscar.

Bong Joon-ho, diretor do longa, foi diplomático ao receber os troféus. Em seu discurso de agradecimento pela estatueta de melhor diretor, Joon-ho homenageou seus adversários, propondo à Academia de Artes e Ciência de Hollywood serrar em cinco o troféu para compartilhá-lo com os outros concorrentes, uma lista que incluía Martin Scorsese e Quentin Tarantino.

Antes, ao aceitar ainda outro prêmio, de filme internacional, acenou à tentativa da Academia de acolher novas vozes. Não foram as únicas estatuetas de Parasita, aliás. Indicado em seis categorias, o filme venceu quatro delas, a outra foi de roteiro original.

Sem muitas surpresas nas categorias de atuação, Joaquin Phoenix acabou levando o prêmio de melhor ator. Além dele, Renée Zellwegger, Brad Pitt e Laura Dern repetiram suas performances em outros prêmios da temporada e ganharam troféus por, respectivamente, Judy, Era uma Vez em… Hollywood e História de um Casamento, nas categorias de atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante.

O diretor de fotografia Roger Deakins foi premiado pelo feito técnico do filme 1917, em que simula um único plano sequência. O Escândalo venceu melhor maquiagem e cabelo, em grande parte graças à transformação de Charlize Theron na jornalista Megyn Kelly, âncora da Fox News.

Já o filme Indústria Americana, sobre os choques entre as culturas americana e chinesa numa fábrica em Ohio, venceu melhor documentário. Com isso, o brasileiro Democracia em Vertigem, que recapitula os conturbados últimos anos da política nacional a partir da perspectiva de sua diretora, Petra Costa, saiu derrotado.

Além de Greta Gerwig, esquecida desde a sua exclusão da categoria de melhor diretor por Adoráveis Mulheres, um dos grandes perdedores da noite foi Martin Scorsese, cujo O Irlandês saiu de mãos abanando depois de ser indicado em dez categorias -a mesma quantidade de 1917 e de Era uma Vez em… Hollywood, e atrás apenas de Coringa, que teve onze nomeações.

Outra grande perdedora da noite foi a Netflix, que tinha, além de O Irlandês, História de um Casamento na disputa. O filme escrito e dirigido por Noah Baumbach acompanha o traumático divórcio entre uma atriz, interpretada por Scarlett Johansson, e um diretor teatral, vivido por Adam Driver. A plataforma saiu com apenas um prêmio, para Dern.

No sábado (8), numa coletiva depois do Spirit Awards, Joon-Ho foi questionado por uma jornalista sobre ganhar o primeiro Oscar para a Coreia do Sul.

– Depois de amanhã, finalmente vou poder ir para casa. É o que me deixa mais feliz – respondeu.

Mal sabia que levaria quatro estatuetas inéditas para o seu país natal.

Confira os vencedores do Oscar 2020:

Filme

Parasita, de Bong Joon-ho

Direção

Bong Joon-ho, por Parasita

Atriz

Renée Zellweger, por Judy

Ator

Joaquin Phoenix, por Coringa

Filme internacional

Parasita, de Bong Joon-ho (Coreia do Sul)

Documentário

Indústria Americana, de Steven Bognar, Julia Reichert e Jeff Reichert

Animação

Toy Story 4, de Josh Cooley, Mark Nielsen e Jonas Rivera

Atriz coadjuvante

Laura Dern, por História de um Casamento

Ator coadjuvante

Brad Pitt, por Era uma Vez em… Hollywood

Roteiro original

Parasita

Roteiro adaptado

Jojo Rabbit

Direção de fotografia

1917

Direção de arte

Era uma Vez em… Hollywood

Montagem

Ford vs. Ferrari

Edição de som

Ford vs. Ferrari

Mixagem de som

1917

Efeitos visuais

1917

Trilha sonora

Coringa

Canção original

I’m Gonna Love Me Again, de Elton John e Bernie Taupin (Rocketman)

Figurino

Adoráveis Mulheres

Cabelo e maquiagem

O Escândalo

Curta-metragem

The Neighbors Window, de Marshall Curry

Curta-metragem documental

Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl), de Carol Dysinger e Elena Andreicheva

Curta de animação

Hair Love, de Matthew A. Cherry e Karen Rupert Toliver

Fonte: Pleno News