Por: Ana Carolina Souza | 10/08/2018

Um casal de comerciantes, dono de um restaurante no bairro Imaruí, em Itajaí, denuncia agressões e ilegalidades que teriam sido cometidas por policiais militares em julho. Eles teriam, inclusive, apanhado na frente da filha de 11 anos.
Um dia antes das agressões, os dois registraram uma queixa na corregedoria da PM, denunciando que os policiais invadiram a casa da família para uma revista sem autorização da justiça. Eles teriam apontado a arma pra uma criança.
Cibela Fernandes Bento, 27 anos, conta que os PMs estariam procurando um sobrinho dela, conhecido como Foguinho. Cibela mora no Imaruí desde pequena. Ela tem nove irmãos e conta que boa parte da família mora no bairro, mas há tempo não tem mais contato com esse sobrinho.
Atrás de Foguinho, a PM bateu na casa dela no dia 26 de julho. O casal estava trabalhando e a filha de 11 anos estava em casa com uma prima maior de idade e o bebê de quatro meses.
Os policiais teriam entrado, revistado a casa e ido embora sem achar nada. Quando os pais chegaram do restaurante, a menina de 11 anos contou que a arma ficou apontada pro rosto dela o tempo todo.
Orientados por advogados, apresentaram queixa à corregedoria da PM. No dia seguinte, a polícia voltou à casa, por volta das 15h. “Cheguei do trabalho só pra apanhar”, recorda a comerciante.
Cibela conta que revistaram a casa, mais uma vez, e também não acharam nada. Ela reclamou com os policiais e disse que registrou uma queixa na corregedoria. Foi aí que o tom subiu. “Começaram a me insultar e depois nos agrediram,” conta.
A comerciante afirma que levou chutes, um apertão no pescoço e foi jogada no chão. O marido, Victor Moreira, tomou tapas e chutes dos policiais. Os dois já fizeram exame de corpo de delito na polícia Civil para comprovar as agressões.
“Olharam o sistema e viram que não tínhamos nenhum registro criminal, nada. Começaram a falar que iam fazer um”, conta Cibela.
Em seguida, os policiais teriam largado no local buchas de crack e cocaína. A família foi levada pra delegacia com as drogas, o celular de Cibela e R$ 415, dinheiro que seria das marmitas do restaurante. O casal foi solto no mesmo dia.

Caso denunciado
Uma nova representação foi feita e o caso também foi denunciado à comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Itajaí. A família vai entrar com um processo criminal e também com uma ação indenizatória.
A família diz que teme novas represálias, mas decidiu trazer o caso à tona porque busca justiça. “Quero retratação com a minha filha e provar que sou inocente. Mostrar pra ela que devemos lutar pelo o que é certo”, explica.
Os advogados da vítima, Amanda Santos de Freitas e Vítor Vilas Boas Dantonio, estranham o procedimento policial. Eles explicam que em casos de prisão de flagrante por droga, como a PM alega que aconteceu, o casal teria que ter ficado preso até a audiência de custódia, mas Cibela e o marido foram pra casa depois de prestarem depoimento.
Os advogados já tentaram três vezes ter acesso ao auto de prisão, o que foi negado em todas as oportunidades, assim como acesso ao celular da cliente. De acordo com Amanda, os advogados não sabem sequer o crime ao qual foram enquadrados. “Nosso objetivo é que esses crimes sejam investigados e os policiais responsabilizados. A honra de toda uma corporação não pode ser manchada pela conduta isolada de poucos agentes”, diz Vítor.

Fonte: Diarinho