Por: Ricardo Gebeluca | 20/05/2019

Contrariada com a postura do presidente Jair Bolsonaro, a deputada estadual Janaina Paschoal falou nesta segunda-feira em deixar o PSL. A afirmação consta em mensagem enviada por ela para o grupo de Whatsapp da bancada do partido na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) .

“Amigos, vocês estão sendo cegos. Estou saindo do grupo, vou ver como faço para sair da bancada. Acho que os ajudei na eleição, mas preciso pensar no país. Isso tudo é responsabilidade”, escreveu a parlamentar, segundo assessores da bancada.

Após enviar a mensagem, Janaina saiu do grupo. Deputada estadual mais votada na eleição do ano passado (com 1,81 milhão de votos), a parlamentar vinha se manifestando nos últimos dias contra a convocação para um ato de apoio ao presidente no próximo domingo. Ela foi cogitada para formar chapa com Bolsonaro no ano passado, como vice-presidente, mas declinou do convite alegando motivos pessoais.

“Essas manifestações não têm racionalidade. O presidente foi eleito para governar nas regras democráticas, nos termos da Constituição Federal. Propositalmente, ele está confundindo discussões democráticas com toma-lá-dá-cá”, escreveu no Twitter no domingo.

Na mesma sequência de postagens, Janaina prosseguiu: “Àqueles que amam o Brasil, eu rogo: não se permitam usar! Não me calei diante dos crimes da esquerda, não me calarei diante da irresponsabilidade da direita.”

Para Janaina, as manifestações podem levar o país ao caos. “O que ele (Bolsonaro) quer? Não tem cabimento deputados eleitos legitimamente fugirem das dificuldades de convencer os colegas (ser Parlamentar é dificil) e ficarem instigando o povo a gerar o caos.”

Ainda na avaliação da deputada estadual, que foi uma das autoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o problema de Bolsonaro são os seus filhos e alguns assessores. “Mas quem o está colocando em risco é ele, os filhos dele e alguns assessores que o cercam. Acordem! Se as ruas estiverem vazias, Bolsonaro perceberá que terá que parar de fazer drama para trabalhar.”

O GLOBO