Por: Ricardo Gebeluca | 09/04/2018

Raimundo Colombo, agora na condição de ex-governador, chegou por volta das 9h30min à Pousada Rural do SESC, em Lages, para o encontro de despedida e ao mesmo tempo de celebração. Logo ao chegar foi recebido com aplausos, abraços e pedidos de fotos. Foi difícil chegar até grupo de jornalistas que o aguardava para uma entrevista coletiva. Mais de duas mil pessoas estiveram no local do evento, muitas vindas em caravanas de diversas localidades do estado.

Todas as lideranças do PSD também marcaram presença, além de forças aliadas, como o Progressista, com o presidente do PP-SC, deputado Silvio Dreveck, e Esperidião Amin, do PSB, com Paulo Bornhausen, e João Paulo Kleinübing, que recentemente saiu do PSD para o DEM. A importância do ato ficou ainda mais evidente pela participação do líder nacional, o ex-prefeito de São Paulo e atual ministro da Ciência Tecnologia e Inovações, Gilberto Kassab.

Ao falar com jornalistas, visivelmente emocionado, Colombo disse que agora se sente mais leve e que está em busca de um equilíbrio maior em torno dos novos desafios. Ressaltou que viveu uma fase muito intensa, principalmente por ter governado em meio à maior crise do Brasil, mas que já passou. Por outro lado, revelou que pensou muito em ser ou não ser novamente candidato a um cargo público. Mas, acabou decidindo pelo enfrentamento das urnas em busca de uma cadeira no Senado.

Inevitavelmente, a imprensa questionou sobre o Fundo de Apoio aos Municípios (Fundam) e sua continuidade. De acordo com o ex-governador, foi um grande projeto, com resultados extraordinários. E assegurou que se o Fundam 2 não acontecer agora, com certeza irá acontecer no futuro, por ser “uma ideia que ninguém segura”. Justificou que não foi possível vencer as burocracias para consolidar esta nova etapa dos recursos, referindo-se aos entraves no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que disponibiliza o recurso autorizado pelo Tesouro Nacional, de mais de R$ 700 milhões, entretanto, não para os moldes propostos pelo Fundam, pelo qual cada prefeito aponta a prioridade do município.

Ao ser questionado sobre um projeto maior que o Senado, descartou no ato. Já sobre as questões judiciais que pesam sobre ele, disse em poucas palavras que é um fator que acaba inibindo, mas que ao mesmo tempo está enfrentando, dando a atenção devido ao assunto. Por enquanto, antes do começo efetivo da campanha, o ex-governador quer descansar um pouco mais, ficar mais em Lages, voltar a conviver na cidade e “até jogar futebol”.

Já no discurso frente ao público, elevou o tom sobre a definição do verdadeiro político e o papel que ele precisa desenvolver na arte de liderar. Lembrou que muitos podem aprovar ou reprovar o seu governo, mas que nenhum catarinense desaprova o Estado de Santa Catarina. Mencionou Luiz Henrique da Silveira, enaltecendo a longa amizade que existiu entre eles, e tocou na ferida sobre a aliança que o beneficiou para chegar ao Senado e nos dois governos, afirmando que eles (MDB), não falharam, e que é preciso respeitar àqueles que estiveram juntos, muito embora os caminhos de agora levam para uma nova aliança, uma nova composição. No final ratificou a intenção ser candidato ao Senado.

Frases de Raimundo Colombo sobre:

Função de um líder político – “Precisamos ser a voz de quem não tem voz, a oportunidade para quem não tem e devolver a esperança para quem a perdeu. Você deve governar com essa filosofia, mas isso não terá placa de inauguração e nem será notícia.”

Principal orgulho – “Santa Catarina foi o Estado que mais abriu postos de trabalho no Brasil no ano passado, quase 30 mil vagas.”

Ataque aos políticos – “Quando se dizima a classe política, passa-se a ter o comando impune e cruel das armas de quem domina. A democracia é o melhor sistema, porque garante a liberdade, a igualdade e as oportunidades para todos.”

Próximas eleições – “O cenário, todo o dia tem uma bomba. E vamos entrar em uma eleição que talvez nunca tenha se enfrentado igual em Santa Catarina.”

Candidatura de Gelson Merisio – “É um líder importante, uma pessoa corajosa, que combate o bom combate e que não tem medo, que desafia e que é o nosso pré-candidato. O Merisio está fazendo o seu esforço, vai liderando o nosso partido, conversando com outros partidos. Nós precisamos nos dar as mãos, trabalharmos com a humildade de quem sabe que o melhor caminho vai chegar lá na frente. Temos que trabalhar para fortalecer o nosso partido, o nosso pré-candidato e construir um espaço para fazer a melhor administração para Santa Catarina e para a nossa candidatura ao governo e o Senado.”

 Aliança com o MDB – “Nós fizemos uma aliança em 2006. Eles fizeram a parte deles e me elegi senador, mesmo sem ser conhecido, com a maior votação da história. Luiz Henrique quase me carregou no colo. Ganhei uma eleição no primeiro turno com todos os meus companheiros, mas também com uma ajuda de uma aliança importante. Eles foram fundamentais e sabemos disso. Me reelegi governador e eles não falharam. Eu poderia chegar aqui e dizer que fui oportunista e que só agi em nome do partido e não respeitar aqueles que coligaram com a gente. Se alguém achar que eu não agi corretamente, prefiro pagar esse preço do que não cumprir a palavra e não honrar compromisso.”

Manifestações:

Gilberto Kassab, presidente licenciado do PSD Nacional e ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – “Como líder, Colombo vai nos levar para esse porto seguro e apresentar para Santa Catarina o melhor caminho e projeto para as eleições.”

Gelson Merisio, deputado estadual, presidente do PSD-SC e pré-candidato ao governo do Estado – “Mais que celebrar o novo momento que o Raimundo Colombo inicia na caminhada ao Senado, estamos aqui celebrando outra grande missão dele, que é nos liderar num processo muito maior que um simples projeto partidário – e aqui estão o Esperidião Amin e o Paulinho Bornhausen para comprovar isso.”

Milton Hobus (PSD), deputado estadual, líder da bancada do PSD – “O Brasil precisa de você, dos teus exemplos, daquilo que você leva dentro do coração. Você foi o maior prefeito entre os governadores que já passaram pelo Estado.”

Antônio Ceron (PSD), prefeito de Lages – “É muito bom ser aplaudido no início, mas é muito melhor ser aplaudido no final.”

Adeliana Dalpont (PSD), prefeita de São José – “Santa Catarina precisa de Colombo no Senado.”

Gabriel Ribeiro (PSD), deputado estadual – “Este ato celebra um governo que valorizou as pessoas.”

Paulo Bornhausen, presidente do PSB-SC – “Isso é olhar para as pessoas humildes”, disse ao lembrar da determinação de criar o programa Juro Zero. E leu uma carta enviada por seu pai, Jorge Bornhausen, a Colombo: “Sua tarefa, recém concluída, foi cercada de amplo sucesso, graças a sua liderança. Seu tino administrativo e sua paciência lhe credenciam mais uma vez para chegar à câmara alta. Seus próximos passos serão o de coordenar a eleição estadual e presidencial em Santa Catarina, visando o bem comum.”

Sílvio Dreveck, presidente do PP-SC – “Estamos nesse grupo com Gelson Merisio, Esperidião Amin e Paulo Bornhausen porque é um projeto para Santa Catarina”.

Esperidião Amin (PP), deputado federal – “Todos podem se orgulhar do governo Colombo, porque o saldo foi bom para a Serra, para Lages, para Santa Catarina e o Brasil.”

Curtas

Chegou mas não ficou – O deputado federal João Paulo Kleinübing, agora no Democratas circulou pelo salão da Pousada do SESC, conversou com algumas lideranças presentes, mas não permaneceu para acompanhar o ato em si. Foi chamado para compor a tribuna de autoridades, mas ninguém mais soube dele.

Ausência – Companheiro de Colombo no mandato, o agora governador Eduardo Moreira (MDB) não compareceu ao ato. Na quinta-feira (5), ao conversar com jornalistas depois de apresentar a carta de renúncia, Colombo afirmou que ele participaria, demonstrando o bom relacionamento entre eles. Mas, na quinta-feira mesmo, no ato de desincompatibilização do prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes (PSDB), o próprio Moreira, em conversa com Colombo, considerou mais prudente não ir a Lages para evitar constrangimentos.

Abraço ao amigo – A deputada federal Carmen Zanotto (PPS) esteve no local, mas também não participou do ato. Foi apenas dar um abraço em Raimundo Colombo na “condição de lageana” e que não poderia se furtar de se integrar com as demais lideranças que são amigas. No entanto, “sem nenhum propósito de coligação”, algo que poderá ocorrer no futuro.

Emoção – Colombo recebeu três homenagens durante o ato. A cantora Marisa Bunn interpretou a música Amigo, de Roberto Carlos, e levou o ex-governador às lágrimas. A Juventude do PSD entregou uma camiseta e uma placa de reconhecimento pelos mais de sete anos de mandato. Na sequência, crianças carregando as bandeiras de Santa Catarina e do Brasil, homenagearam Colombo, ao mesmo tempo em que foi exibido o jingle da campanha de reeleição ao governo em 2014.

Celebração – Questionado sobre a participação do Progressista no evento, o deputado federal Esperidião Amin apenas respondeu que se tratou de um momento de celebração, de um amigo que tem feito muito bem a Lages, à Serra e à Santa Catarina. “Nem mais nem menos.”

Oeste presente – José Cláudio Caramori, que também se desincompatibilizou da presidência do Badesc para participar do próximo pleito, disse estar avaliando a condição de uma candidatura com muito critério. Lembrou que Chapecó e o Oeste Catarinense precisam manter a representatividade num espaço visível, mais para uma candidatura a deputado federal do que a estadual. Ainda mais diante da indefinição sobre o futuro do deputado João Rodrigues.

Novo ciclo – O presidente estadual do PSD e pré-candidato ao governo Gelson Merisio acredita que a partir de agora é começo de um novo ciclo eleitoral, em que irá precisar trabalhar muito para consolidar a candidatura de Raimundo ao Senado, além de construir uma campanha vitoriosa, que vem sendo trabalhada há oito anos. Ele pensa que o PSDB poderá também se unir ao grupo atual, já com perto de 10 siglas, e que até agosto tudo estará definido. Sobre os pedidos de exoneração dos secretários do PSD, disse que todos deveriam ter feito até ontem. Os que porventura não o fizeram, terão a filiação suspensa enquanto exercerem a função, por terem desrespeitado a posição política do Partido, mesmo afirmando que não se trata de retaliação. É o caso do secretário de Lages, João Alberto Duarte, que decidiu permanecer na ADR.

Apresentação – O ministro Gilberto Kassab fez um discurso leve, relatando suas andanças pelo Brasil e os importantes cargos que já ocupou e ainda ocupa. Disse que em poucos lugares deste país tem uma liderança como a de Raimundo Colombo em Santa Catarina. “É difícil ter uma liderança no país como a do porte de Colombo”, disse.

Também participaram do ato, além das autoridades que discursaram, os deputados estaduais Antonio Aguiar, Jean Kuhlmann, Ismael dos Santos, Ricardo Guidi, Dalmo Claro, Darci de Matos, Kennedy Nunes, a deputada federal Carmem Zanoto, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e outras lideranças do PSD.

 *Editado por Andréa Leonora, com informações também dos jornalistas Aline Cabral Vaz e Claudio Thomas