Por: Ricardo Gebeluca | 20/09/2018

Recentemente a mídia mostrou casos de mulheres sendo assediadas nos metrôs de São Paulo causando ojeriza em grande parte da população. E o que leva o homem a pensar que tem o direito de molestar mulheres?

Talvez, embora muitos digam que não, ainda existe no Brasil uma cultura do estupro, para o leitor entender o que seria essa cultura – resumidamente – é como se chama um ambiente que banaliza, legitima e justifica a violência contra a mulher. Isso acontece pela disseminação da ideia de que o valor da mulher está ligado as suas condutas morais e sexuais e o valor do homem não, ou seja, o homem pode tudo, a mulher não.

Tal cultura ganhou visibilidade a partir da divulgação pela mídia dos diferentes casos que ocorrem diariamente de violência sexual contra as mulheres. Alguns casos geraram comoção social e uma série de debates sobre o assunto, pautados sobre os motivos pelos quais o estupro e abuso de mulheres são tão recorrentes. Infelizmente, apesar da gravidade desses atos, continuam sendo observados como descuidos ou irresponsabilidades das vítimas que sofreram abusos, ora por estarem em locais não adequados às mulheres, ora por estarem usando roupas curtas, dentre outros argumentos. Por outro lado há quem diga que é fruto de uma sexualidade desviada e criminosa de uma pequena parcela dos homens.

A verdade é que estamos vivendo em uma sociedade doente, é visível a banalização geral, perdeu-se o respeito, não só pelas mulheres, mas pelos idosos, pais, professores, etc.

Parte da mídia tem suas responsabilidades por fomentar desvios de conduta, como uma cena de novela que romantiza o homem que praticou assédio contra uma mulher, tal atitude colabora na construção da cultura do estupro.

Segundo pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 48% das pessoas acham errado a mulher sair com amigas sem o namorado, 76% criticam que ela beije vários homens e 80% acham que ela não deve ficar embriagada em festas e bares. Já 26% dos brasileiros concordam que mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas e 58% afirmam que elas têm parcela de culpa sobre os abusos que sofrem.

De outro norte, há um incentivo ao homem para ser “pegador”, entre muitos homens é natural um assobio na rua ou dar aquele beijo forçado em uma mulher na balada. Enfim, a cultura do estupro é um ambiente onde muitos homens sentem que tem o direito de cometer assédio contra as mulheres.

Ainda, segundo as pesquisas, no Brasil cerca de 86% das mulheres já foram assediadas, em 44% dos casos elas tiveram seus corpos tocados. Uma comparação com a Índia – país conhecido pela violência sexual contra a mulher – o número de assédio é de 79%.

Por vezes, as mulheres, vítimas de violência sexual, acabam não denunciando os crimes, principalmente por vergonha. No Brasil, por ano, são 50 mil casos de estupro, porém acredita-se que esse número representa apenas 10% do total real e muitas vítimas são crianças ou adolescentes.

Boa parte dos estupradores não são aqueles homens desconhecidos que ficam em local ermo à espreita das suas vítimas, são pessoas próximas, parentes, pais, amigos ou conhecidos.

Parte da solução está em romper essa cultura, os pais não devem cobrar dos filhos que sejam “pegadores” e jamais culpar uma menina por ter sido vítima de assédio. Outra solução – mais radical (porém eficaz) – seria   a castração química dos estupradores, lembrando que já existe no Legislativo Nacional projeto de lei nesse sentido que ainda não foi aprovado, sou defensor de que esse projeto se transforme em lei.

É preciso entender que sexo só vale a pena quando ambos querem e que a palavra não quer dizer “NÃO”.

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Por Capitão Rodrigues