Governo de Santa Catarina gasta R$33 milhões em respiradores fantasmas

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Cinco horas, foi esse o tempo que o governo de Santa Catarina levou para analisar uma proposta e decidir comprar 200 respiradores que custaram R$33 milhões aos cofres públicos. Porém os aparelhos deveriam ser entregues para 48 unidade de saúde do estado no início de abril, só que ainda não chegaram. A previsão, agora, é para junho. As informações são de uma reportagem publicada pelo site Intercept e assinada pelos jornalistas Fábio Bispo e Hyury Potter.

Cada aparelho custou R$165 mil. Além disso, o governo comprou os respiradores da Veigamed, uma empresa da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, sem histórico de vendas desse aparelho e especializada no comércio de produtos hospitalares como gaze e mobília.

A empresa nunca teve nenhum contrato com o governo catarinense e, nos últimos cinco anos, a soma de todos os produtos que vendeu à União é de apenas R$ 24 mil.

O governo do estado demonstrou interesse pelos aparelhos às 10h17 do dia 26 de março. No mesmo dia, às 15h31, foi incluída no sistema a ordem de fornecimentos dos equipamentos oferecidos pela empresa, finalizando o processo de escolha em pouco mais de cinco horas.

O primeiro lote com 100 respiradores deveria chegar até o dia 7 de abril em Santa Catarina, o que não aconteceu. Questionada, a empresa respondeu poito dias depois, com mudanças no contrato. A Veigamed mudou o modelo do respirador e esticou o prazo de entrega para junho, dois meses além da data combinada.

O novo aparelho, escolhido sem consulta técnica ao governo catarinense, é o Shangrila 510S. A mudança para um aparelho inferior baixou o custo da empresa em R$ 21 milhões, mas o valor do contrato segue o mesmo.

O primeiro lote com 100 dos novos aparelhos está previsto para partir da China até o dia 30 de abril. O outro carregamento deve sair entre 15 e 30 de maio. Na melhor das hipóteses, os respiradores devem chegar com pelo menos dois meses de atraso.

O governo do estado ainda não se manifestou sobre o caso. Durante a coletiva desta terça-feira, o governador e o secretário de Saúde não abriram espaço para perguntas de jornalistas.