Por: Redação | 15/09/2020

Não é novidade que todas as mudanças de rotina impostas em razão do novo coronavírus impactaram a vida de todos. A pandemia e o isolamento social já vêm deixando marcas na saúde psicológica da população. Segundo um estudo realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o número de casos de depressão quase dobrou, enquanto os de ansiedade e estresse aumentaram cerca de 80%.

Para os baixinhos, não seria diferente. Apesar de não serem o foco de maior preocupação neste momento, já que não apresentam tanto risco em caso de infecção por Covid-19, as consequências da pandemia e isolamento social também afetam as crianças.

Um estudo publicado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI) analisa como as mudanças na convivência familiar e na rotina podem atrapalhar o desenvolvimento de crianças na primeira infância (0 a 6 anos), e alterar importantes interações positivas, como um ambiente favorável para descobertas.

Um dos principais impactos da pandemia é a convivência familiar sob tensão. O problema pode provocar o “estresse tóxico”, quando a criança experimenta um longo período de adversidades sem o suporte de um adulto, revela o NPCI. Segundo o artigo, o estresse é originário do confronto entre uma situação de desconforto e os recursos que estão disponíveis para que o indivíduo lide com ela.

Em situações estressantes, os neurônios que controlam as respostas de medo ficam mais ativos, fazendo com que o cérebro interprete situações como ameaçadoras, reagindo de acordo, o que aumenta a produção de hormônios como adrenalina e cortisol. De forma prolongada, o estresse pode desregular o sistema neuroendócrino, afetando outros órgãos e sistemas, como o imunológico. Também pode aumentar o risco de doenças na vida adulta, como ansiedade e depressão.

De acordo com a pesquisa, é esperado que os pequenos de até 6 anos passem a ter comportamentos como dormir mal, demonstrar apatia, ter o apetite afetado, chorar e apresentar distanciamento, já que é essa maneira que eles encontram para lidar com situações inesperadas e adversas. No entanto, acabam sendo prejudiciais aos processos de desenvolvimento, aprendizagem e convivência.

Ainda segundo a pesquisa, que reuniu dados levantados em países como Brasil e China, em razão das dificuldades em atender três principais necessidades das crianças – autonomia, sensação de pertencimento e controle da situação –, a pandemia provocou dependência excessiva dos pais (36%), desatenção (32%), problemas de sono (21%) e falta de apetite (18%).

O artigo também apontou que, devido a perda de quase todos os referenciais durante o isolamento, como avós, amigos e familiares, as crianças mais novas (até 3 anos), desenvolveram maior dependência dos pais. Outro problema foi sentido devido a um maior tempo de exposição a telas, como televisão, videogame e celular.

Seja para lidar com o tédio, falar com familiares ou acompanhar aulas virtuais, a maior exposição a eletrônicos pode provocar irritação e alterar a forma de reação de algumas crianças, impactando principalmente o sono, pois afeta a liberação de melatonina, hormônio que começa a ser produzido ao anoitecer, enquanto a luz solar vai diminuindo.

Com mais incidência de luz artificial e, consequentemente, menos melatonina, o sono durante a noite tende a ter mais despertares, provocando mais irritação e prejudicando a capacidade de atenção e convivência familiar.