Por: Ricardo Gebeluca | 23/01/2018

Litoral, desta vez alcançou um número de turistas acima da média. Levantamento preliminar do consórcio Costa Verde & Mar, que reúne de Balneário Piçarras a Bombinhas, aponta para um aumento de 30% na movimentação. O crescimento vem após uma temporada considerada ruim no ano passado, resultado da economia em crise e do recuo na intenção de viagem dos argentinos. A expectativa, agora, é pela continuidade dos bons resultados _ que poderá confirmar uma das melhores temporadas dos últimos tempos.

Itapema é a cidade que registrou o maior crescimento. Em relação à temporada anterior, a quantidade de turistas subiu 35%. Esta semana, já próximo do fim do mês, a maior parte da rede hoteleira ainda registrava ocupação total.

– Conseguimos recuperar o que perdemos no ano passado, que foi cerca de 30%, e crescer mais 5% na quantidade de turistas. Geralmente tínhamos um período muito bom no começo do mês, e depois um esvaziamento. Mas a cidade continua lotada, e esperamos manter _ diz a prefeita Nilsa Simas (PSD).

Na vizinha Bombinhas, o volume de pagamentos da Taxa de Preservação Ambiental (TPA) é o termômetro para avaliar a temporada. De 25 de dezembro a 10 de janeiro, o pico da temporada de verão, o número de carros que entrou no menor município de Santa Catarina saltou de 131 mil para 168 mil, um aumento de 28%. Chama atenção o crescimento na segunda semana de janeiro _ no dia 8, por exemplo, a quantidade de carros foi 60% maior do que na mesma data em 2017. Vice-presidente da Associação Empresarial de Bombinhas (AEMB), Laís Grecco diz que o volume de vendas em cartão de crédito subiu 27% na cidade, e a circulação de dinheiro é três vezes maior do que no ano passado.

-O brasileiro ficou endividado, e vem viajando com mais dinheiro em mãos ao invés do cartão. Economicamente falando, esta temporada é muito melhor que a do ano passado _ afirma.

Em Balneário Camboriú, de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o volume de vendas está aquém do esperado, mediante o grande número de turistas na cidade. A hotelaria, no entanto, tem recuperado a baixa sentida na temporada anterior. As projeções da Secretaria de Turismo apontam para 800 mil turistas neste mês, 20% mais do que em janeiro de 2017. O Réveillon atingiu a expectativa de cerca de um milhão de pessoas, e os índices de recolhimento de lixo indicaram um aumento de 22% na quantidade de público na virada de ano. Ano de recordes  Em Balneário Camboriú, os bons números da temporada selam um ano de recordes no número de turistas. De maio a novembro a cidade registrou mais de 45% de aumento na movimentação _ em junho, o índice chegou a 131% de crescimento. A Secretaria de Turismo considera os resultados históricos, especialmente no inverno, quando a cidade costumava ter baixa ocupação.

Pelo menos dois fatores interferiram positivamente nos números da região: o primeiro deles foi o investimento em promoção. Este ano o Consórcio Verde & Mar, que reúne os municípios da foz do Itajaí-Açu, uniu-se ao projeto Visite BC e Região, capitaneado pelo Convention & Visitors Bureau de Balneário Camboriú. O foco, além de cidades do Mercosul, foram municípios do Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. A procura por passagens para a região refletiu no Aeroporto de Navegantes: o terminal, que não recebia voos charter desde 2006, tem 24 confirmados para este mês. Todos em ligação com a Argentina. Durante o ano, também aumentou a oferta de voos nacionais _ o que levou o aeroporto a fechar 2017 com o recorde de 1,5 milhão de passageiros.

Enxurrada preocupa

Diante de um bom início de temporada, a principal preocupação do trade turístico em Balneário Camboriú está no clima. A enxurrada do dia 11 de janeiro, que provocou estragos na cidade, teve repercussão nacional e internacional _ o que levou a uma série de cancelamentos nos dias seguintes. No último fim de semana, a Secretaria de Turismo lançou notas e um vídeo institucional voltado ao mercado do Mercosul, em que mostra que os problemas na cidade foram passageiros e Balneário Camboriú está pronta para receber os turistas.

-Vínhamos num movimento muito bom, mas começou a chover e isso assusta o cliente. A repercussão em jornais argentinos como Clarín e La Nación nos deixou receosos _ diz Margot Libório, vice-presidente do Convention & Visitors Bureau. O secretário de Turismo, Miro Teixeira, acredita que as medidas tomadas tenham sido suficientes para reverter a queda nas reservas. Nos últimos dias, nem mesmo a chuva persistente espantou os turistas das areias da Praia Central.

Planejamento e paciência

O desafio para as cidades turísticas da região está na qualificação, diz Athos Teixeira, mestre em Turismo e Hotelaria e professor do curso de Turismo da Univali, em Balneário Camboriú.

– Já somos um destino consolidado, mas tem um momento em que o turismo de massa se torna um problema. É preciso lutar por um turismo mais qualificado, com planejamento, infraestrutura. O investimento tem que ser feito com planejamento a médio e longo prazo. Não adianta tratar de questões pontuais, precisamos repensar o desenvolvimento urbano _ avalia. Nesta temporada tivemos novamente problemas de falta de água em algumas cidades da região, como Penha e Bombinhas, e denúncias de contaminação por problemas no saneamento, como ocorreu em Itapema durante as fortes chuvas. Há ainda a questão da mobilidade urbana, que torna o trânsito de Balneário Camboriú, por exemplo, impraticável no auge do verão. São problemas que exigem uma dose de paciência dos moradores.

-Quem mora aqui tem que ter a consciência de que escolheu uma cidade turística para viver. Se não tiver turismo, a cidade morre. É preciso ter paciência e entender que nesses meses a cidade muda. Tem que saber conviver e desenvolver políticas públicas que minimizem os impactos negativos _ afirma o professor.