Por: Ricardo Gebeluca | 3 semanas atrás

Autoridades, lideranças e moradores de várias cidades da região do Vale do Itapocu e Norte de Santa Catarina participaram da audiência pública para tratar do combate ao maruim. O evento foi na noite desta segunda-feira (27), na sede da Amvali, em Jaraguá do Sul.

O pesquisador Luiz Américo de Souza que estuda uma maneira de reduzir a proliferação do inseto apresentou a evolução do trabalho que vem sendo realizado desde 2006. “Eu já fiz os teste usando a clorofila no combate ao borrachudo que a larva é mais fácil de ser capturada e constatei que 70% da amostra acabou morrendo. Agora em dezembro e janeiro vou coletar as larvas do maruim para fazer os testes com esse mosquito em laboratório e espero que até a metade do ano já tenhamos os resultados para fazermos o estudo em campo”, afirmou Luiz Américo. A expectativa é que a clorofila retirada da folha da banana possa ser ainda mais nociva a essa larva, visto que esse inseto absorve melhor o material. A necessidade agora é da aquisição de uma máquina que desidrata a clorofila e transforma em pó. Desta maneira a aplicação fica mais fácil.

Outra novidade apresentada pelo pesquisador foi a descoberta que o óleo de alfavaca-cravo pode ser usado como repelente. Luiz Américo fez a contagem da quantidade de picadas de maruim em uma área infestada no interior de Jaraguá do Sul e verificou que contou 1.500 por hora enquanto a quantia considerada tolerável pela ONU é de apenas 5 no mesmo período. Os proprietários da área pesquisada testaram o repelente e constataram que ele protege por até oito horas. Os prefeitos e vários vereadores levaram uma amostra do creme para testar em suas comunidades.

Segundo o pesquisador, são aproximadamente 1.400 espécies de maruim catalogadas no mundo e a que existe no Vale do Itapocu e Norte é nativa daqui. A infestação está associada ao aumento das áreas destinadas para o plantio de diferentes culturas e a criação de animais na Mata Atlântica. “Com essa invasão nós oferecemos para o mosquito a matéria orgânica necessária para o desenvolvimento dele, consequentemente também o ser humano está mais presente nessas áreas e como a fêmea precisa do sangue para formação do aparelho reprodutor e para o amadurecimento da larva, foi ali que ela encontrou o lugar ideal para por os ovos, disse Luiz Américo.

Alguns dados sobre o maruim

São mais de 1.400 espécies catalogadas no mundo

Em mais de 50 municípios de SC há o registro do inseto também conhecido como mosquito do mangue ou mosquito pólvora. As cidades da região Norte e Nordeste são as principais afetadas

Em área de plantação de banana a proliferação é ainda maior, pois alguns inseticidas usados acabam matando fungos que são predadores naturais do mosquito. Além disso, ele usa o caule cortado da banana como uma área para reprodução por ser um local quente e úmido. O Maruim mede entre um e dois milímetros e por isso é praticamente imperceptível. Apenas a fêmea pica, pois o sangue serve para o desenvolvimento dos órgãos reprodutivos e amadurecimento dos ovos.

Cada fêmea põe em média 200 ovos entre 24h e 72h dependendo da temperatura e umidade do local que ela estiver. O período para que os ovos eclodam é de cerca de 50 dias. Estudos comprovaram que metade dos insetos será fêmea.

O Maruim pode transmitir doenças como a línga azul que acomete ovinos, caprinos e bovinos, além da oroupoche uma doença com sintomas semelhantes ao da meningite, mas que não causa morte nem sequelas.

As doenças mais comuns são as alergias de pele, porém em crianças e idosos essas alergias podem se agravar com maior facilidade e ser necessário o uso de antibióticos para o tratamento.