Por: Ricardo Gebeluca | 17/09/2018

Andréa Leonora

CNR-SC/ADI-SC/Central de Diários

Todos os candidatos à presidência da República foram convidados, mas somente Álvaro Dias, do Podemos, compareceu ao Empreende Brazil Conference, realizado no último sábado (15), em Florianópolis. A explicação de Dias para se fazer presente foi a necessidade de valorização do empreendedorismo, “essencial para um país que quer sacudir a poeira e dar a volta por cima, com desenvolvimento e com melhor qualidade de vida para as pessoas. Temos que valorizar sempre quem trabalha, quem empreende, quem produz”, completou ao defender o empreendedorismo como forma de reduzir as desigualdades regionais e sociais do país.

Ao se dirigir a um público formado por cerca de 2 mil empresários, de todos os portes, lembrou que estava em Florianópolis, nome dado à antiga Desterro em homenagem a Floriano Peixoto. E disse que o episódio histórico que resultou no fuzilamento de 185 catarinenses pelo coronel Moreira César, “estabelecendo aqui a fotografia do divórcio que existia no país entre o Estado brasileiro e a sociedade. E hoje nós voltamos a Florianópolis para pregar a refundação da República, exatamente porque ela nasceu com vício de origem e o divórcio continua”.

O candidato do Podemos defendeu que a refundação da República é o que vai determinar o desenvolvimento acelerado do país e vai levar a reformas urgentes, começando pelo ajuste fiscal com limitador emergencial de despesas, de 10% no primeiro ano, para liquidar o déficit público. No segundo ano, a medida prevista é orçamento com base zero, com a reavaliação das despesas do governo, para atingir o superávit. “Com isso, a força creditícia do país, que hoje é consumida pelo Estado brasileiro, será transferida para o setor produtivo”, prevê.

Segundo informou na palestra para empreendedores, 72% do crédito do país são consumidos pelo setor público, restando para o privado somente 28%. Para Dias, essa situação levou o Brasil a virar o que chamou de “paraíso dos banqueiros” e colocou o país como refém do sistema financeiro. “O sistema financeiro estabeleceu um monopólio onde cinco grandes bancos decidem a vida econômica da nação, determinam quanto eles mesmos devem ganhar, em detrimento dos interesses do mercado, dos que produzem, dos que empreendem e promovem o desenvolvimento. Isso não é República. Isso mais se parece um Império!”, reclamou.

Ele comparou a realidade do Brasil com a realidade dos Estados Unidos. “Lá existem mais de 10 mil instituições financeiras de crédito, 6 mil cooperativas de crédito e mais de 4 mil bancos. São instituições financeiras regionais que estabelecem uma concorrência no mercado, o que possibilita a redução das taxas de juros.”

A reforma tributária defendida pelo candidato Álvaro Dias deve ser “inteligente, modernizadora e simplificadora”, resultando na transformação de seis tributos em apenas um, o Imposto de Bens e Serviços, tributando mais na renda do que no consumo de forma a beneficiar as camadas mais pobres da população. “Produziremos mais, teremos aumento de consumo e o governo vai arrecadar mais. A roda da economia vai girar com mais força”, resumiu.

Outra proposta de Dias é implantar 365 medidas contra a burocracia, uma por dia no primeiro ano de seu governo. As medidas vêm acompanhadas de outras: regulação competente, segurança jurídica e combate implacável à corrupção. “Tudo para o que Brasil seja visto como um país sério pelas outras nações e para que os investimentos, que foram embora daqui, expulsos pela incompetência e pela corrupção, retornem para a geração de emprego, de salário e de desenvolvimento.”