Por: Ricardo Gebeluca | 19/06/2019

Uma operação da Polícia Federal movimentou a terça-feira (18) em solo catarinense. Autoridades de estado e da segurança pública foram presas, e muitos mandados de busca e apreensão cumpridos. Saiba tudo sobre a Operação “Chabu” na reportagem especial da edição de hoje do Jornal O Atlântico.

Prefeito de Florianópolis é preso

Nas primeiras horas da manhã, as notícias já chegavam às redações: a Polícia Federal deflagrou uma operação para desarticular organização criminosa que violava sigilo de operações policiais no Estado de Santa Catarina. Agentes da PF cumprem 30 mandados, sendo 23 de busca e apreensão e sete de prisão temporária no Estado, todos expedidos pelo TRF 4, em Porto Alegre (RS).

Um dos presos na operação foi o prefeito de Florianópolis Gean Loureiro (MDB). Ele foi levado logo cedo para a superintendência da Polícia Federal. Além de Gean, outros nomes de peso figuram entre os presos da operação, como o delegado da Polícia Federal de Florianópolis, Fernando Caieron, que foi detido em Porto Alegre e o ex-secretário da Casa Civil do Governo do Estado de Santa Catarina, Luciano Veloso Lima.

Lista completa das prisões

Gean Marques Loureiro: Prefeito de Florianópolis;
Fernando Amaro de Moraes Caieron: Delegado da Polícia Federal;
José Augusto Alves: Diretor executivo de uma empresa de assessoria empresarial;
Marcelo Rubens Paiva Winter: Diretor de comunicação do Sindicato dos Policiais Rodoviários de Santa Catarina;
Luciano da Cunha Teixeira: Account managerda empresa Suntech, que atua com interceptação legal para provedores de serviços de comunicação no Brasil e no Chile;
Luciano Veloso Lima: Ex-secretário da Casa Civil de Santa Catarina;
Hélio Sant’Anna e Silva Júnior: Delegado da Polícia Federal

Afastado do cargo de prefeito

Mas não parou por aí, no fim da tarde, nova notícia abalou as estruturas políticas da Capital. O TRF 4 determinou que a prisão temporária de Loureiro prevê o afastamento do político de suas funções de prefeito pelo período de 30 dias.

O texto proíbe ainda o prefeito de fazer contato com outros oito investigados na operação. Loureiro também não pode se afastar do Estado sem autorização prévia do juízo e precisou entregar o passaporte.

Em nota, a Prefeitura informou que Gean Loureiro concordou em prestar as informações necessárias e prestaria depoimento na Polícia Federal. Ainda se defendeu das acusações. “As informações preliminares dão conta de que não há nenhum ato ou desvio de recursos públicos relacionados à prefeitura”, disse a nota.

Buscas e apreensões em cidades da região e Fakenews

No começo da tarde, informações de que a PF cumpria mandados de busca e apreensão em Camboriú, Itajaí e Balneário Camboriú saíram na imprensa. E Balneário, a coisa gerou a veiculação de uma fakenews na página da internet de um jornal de nível estadual da Capital que, logo depois, desmentiu a informação, mas não se retratou.

A informação passada pelo jornal dizia que o ex-deputado estadual Leonel Pavan teria sido alvo de um mandado de buscas e apreensão em sua residência, na cidade de Balneário Camboriú. O próprio Pavan, por meio de um vídeo enviado para grupos de WhatsApp, desmentiu a informação.

No vídeo, Pavan aparece almoçando com a família. Ele afirma: “fomos surpreendidos de que teria uma visita desagradável na minha casa. Felizmente, nós estamos aqui muito bem, graças a Deus”, disse.

Operação é um desdobramento de mandados de 2018

Em agosto 2018, a Operação Eclipse da Polícia federal cumpriu 10 mandados de busca e apreensão. Um gabinete da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), foi alvo da operação. Na ocasião, os investigados eram servidores públicos da Polícia Federal e da Polícia Civil.

Após análises dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018, foi apurado que a organização criminosa construiu uma rede composta por um núcleo político, empresários, e servidores da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal lotados em órgão de inteligência e investigação, com o objetivo de embaraçar investigações policiais em curso e proteger o núcleo político em troca de benesses financeiras e políticas.

Durante as investigações foram apuradas várias práticas ilícitas, dentre as quais destacam-se o vazamento sistemático de informações a respeito de operações policiais a serem deflagradas até o contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar “salas seguras” a prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas.

Chabu

“Mais uma vez, ressaltamos que a repressão contra atos ilegais de servidores do órgão policial é extremamente sensível e é essencial para a manutenção da lisura e do compromisso que a Polícia Federal tem de servir à sociedade brasileira”, afirma a PF em nota.

O nome CHABU significa dar problema, dar errado, falha no sistema; usado comumente em festas juninas quando falham fogos de artifício. Termo empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a acontecer.