Por: Ricardo Gebeluca | 25/03/2020

Desde que a quarentena foi decretada em diversas cidades para conter o surto de coronavírus (Covid-19), o estado de espírito do brasileiro já não é mais o mesmo.

No país mais ansioso do mundo segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), era de se esperar que os efeitos emocionais do isolamento não demorassem a aparecer. Para quem tem condições de permanecer em casa e de colocar comida na mesa, a ansiedade e o apetite redobrados foram uma das primeiras mudanças comportamentais.

 “A comida entra quando a palavra não dá conta de nomear as nossas emoções”, explica a psicóloga Raquel Guimarães, especialista em comportamento alimentar e criadora da página no Instagram Meu Querido Corpo. “A gente tem um histórico de escassez que data desde a era primitiva, mas nossa geração nunca passou por um período de estresse tão intenso.”

Segundo a especialista, é o medo da escassez que ativa comportamentos fora da curva como a estocar produtos e “descontar na comida”.

“A comida não tem um valor apenas nutricional, ela tem um valor afetivo e está atrelada a fatores emocionais e sociais. Desde que nascemos, a própria ideia de alimentação está atrelada à ideia de transmitir amor e carinho na amamentação. É por esse fator emocional que a gente tenta lidar com as nossas emoções a partir da comida em um tempo tão complicado.”

Além disso, a psicóloga explica que, apesar da quarentena modificar o relacionamento com a alimentação, não é o momento de se cobrar com dietas restritivas, mas de tentar manter a saúde emocional em dia.

“Assim como adotamos medidas para nos proteger da pandemia, também temos que nos proteger mentalmente e tentar preservar o senso de normalidade. Agora é um momento de mergulho interno. Devemos nos perguntar quanto de informação aguentamos sem ‘entrar na nóia’”, orienta a psicóloga.

Dessa forma, para proteger a saúde mental durante a quarentena, Raquel dá as seguintes dicas:

Acompanhe as notícias por fontes confiáveis e determine quanto tempo do seu dia será gasto com isso. Não fique perdido nos canais de TV e nos boatos de WhatsApp.

Preserve o senso de normalidade. Mantenha os exercícios físicos em casa e, se estiver em home office, trabalhe da mesa, não na cama ou no sofá.

Para dar conta da ansiedade causada pelo isolamento, tente inserir algo no seu dia que você gosta muito de fazer.