Por: Redação | 18/06/2021

A publicação do decreto com as restrições, na última terça-feira (15), não agradou os representantes do setor de bares e restaurantes de Santa Catarina. Antes mesmo da divulgação, o setor se reuniu com o Governo do Estado, ainda na segunda-feira (14), e indiciou algumas ações.

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) apresentou propostas como, por exemplo, criação de um protocolo próprio para atendimento em área externa, que segue as regras do espaço interno.

“No nosso entendimento, é incoerência o protocolo da área externa obedecerem as mesmas restrições do local interno do estabelecimento. Com essas correções, podemos diminuir o impacto recebendo mais clientes e sem prejuízo na segurança”, explicou Raphael Dabdab, presidente da Abrasel em Santa Catarina.

Entre as mudanças indicadas, está a implementação de barreiras acrílicas entre mesas, excluindo a necessidade de distanciamento na área de fora do estabelecimento.

Por outro lado, o médico e infectologista Martoni Moura e Silva não indica a adoção dessas medidas. “Para melhor segurança dos clientes, seria indicado até a adoção das duas medidas, mas não a retirada da obrigação do distanciamento”, explicou Martoni Silva.

Além disso, a ampliação de mais duas horas no funcionamento dos estabelecimentos foi outra proposta indicada por representantes do setor. Ainda conforme Raphael Dabdab, a extensão resultaria na diminuição das filas de espera.

“A Abrasel lamenta que o decreto estadual para o combate à Covid-19 tenha se limitado a apenas prorrogar as medidas vigentes, pela terceira vez consecutiva”, afirma Raphael Dabdab.

No entanto, o infectologista Martoni Silva volta a alertar sobre o atual momento da pandemia em Santa Catarina e indica que a manutenção das restrições não resolverá o aumento dos casos.

“Estamos vivendo um platô alto, um nível que preocupa e o decreto não está adequado para nossa realidade. O aumento dos casos ativos e da fila de espera por UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) indica isso, resultando na morte de pessoas por conta da ausência da assistência correta”, explicou Martoni Silva.

Em contato com a reportagem, o superintendente de vigilância em saúde, Eduardo Macário, informou que o assunto ainda está em fase preliminar.

“A situação ainda está em estudo, não definimos nada. Vamos seguir conversando, passar para os grupos de avaliação e, em seguida, tomar uma decisão sobre o assunto. No momento, não temos nada para confirmar”, explicou.

Após a reunião com representantes do setor de eventos, na última quarta-feira (16), Eduardo Macário explicou que novas liberações, no momento, são inviáveis por conta da atual situação da pandemia em Santa Catarina.

“Estamos usando as reuniões para ser o mais transparente possível sobre as relações de saúde e que os negócios possam voltar a funcionar na medida que a situação for melhorando. Pedimos paciência e cautela para que siga respeitando os protocolos”, completou o superintendente.

 

Horário de funcionamento em vigor

Conforme o atual decreto, os serviços de alimentação, por exemplo, bares e restaurantes, podem funcionar das 5h às 23h, limitando a entrada de novos clientes até 22h, nos níveis gravíssimo e grave.

Já no alto, é permitido o funcionamento das 5h à meia-noite, limitado  ingresso de novos clientes até 23h. Já no moderado, está liberado conforme o horário fixado no alvará de funcionamento do estabelecimento.

 

Alerta para nova onda de contágio

Assim como destacou o Eduardo Macário, Santa Catarina voltou a ligar o alerta para a piora da pandemia da Covid-19 e uma possível nova onda de contágio.

A SES (Secretaria de Estado da Saúde) divulgou o mapa de risco, no último sábado (12), onde todas as regiões do estado voltaram para o nível gravíssimo (vermelho), o pior índice dos indicadores da pandemia.

Conforme o boletim epidemiológico, divulgado na última quarta-feira (16),  Santa Catarina registra 23.146 casos ativos, ou seja, pessoas que ainda não se recuperaram e podem transmitir a doença. Além disso, já são 16.136 catarinenses que morreram em decorrência da Covid-19.

Conforme o painel de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde), atualizado na manhã desta quinta-feira (17), Santa Catarina tem apenas 47 dos 1.511 disponíveis, ou seja, 96,89% de ocupação.

Vale ressaltar que as regiões do Oeste, Meio-Oeste e Serra Catarinense e Sul estão com todos os leitos de UTI para adultos com Covid-19 ocupados. Em todo o Estado, apenas 36 dos 1.039 estão disponíveis, resultando em 96,54% de ocupação.

Por ND+