Por: Ricardo Gebeluca | 1 mês atrás

Casos de Sífilis aumentam no estado e diagnóstico é feito por meio de exames clínicos, laboratoriais e testes rápidos. Camboriú teve registro de 54 casos este ano

“O uso do preservativo é de fácil acesso, fornecido nas Unidades de Saúde gratuitamente, e uma das formas mais eficazes de prevenção, até para outras doenças sexualmente transmissíveis e para uma gravidez não planejada”. Essa é a orientação da enfermeira e coordenadora do Centro de Diagnóstico e Tratamento (CEDIT) de Camboriú, Gabriela Garcia Torres Pereira, para evitar o contágio com Sífilis. A doença teve um aumento de 40% de casos em Santa Catarina em 2016, comparado ao ano anterior – conforme dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Estado.

“Essa é uma orientação antiga, mas precisamos ressaltá-la sempre. Muitos jovens ainda deixam de usar o preservativo. Os motivos são variados: vão desde estarem sob o efeito de álcool ou outras drogas até o simples fato de não ter a camisinha no momento. Esse não uso expõe as pessoas aos riscos. Orientamos sempre que quando for sair, leve uma camisinha no bolso, na carteira ou deixe no porta-luvas do carro. Isso vale para homens e mulheres, e até para quem possui um parceiro fixo”, reforça a coordenadora. Em Camboriú, os casos de Sífilis chegam a 54 neste ano: 35 adquiridos durante relações sexuais sem camisinha, 15 em gestantes e quatro congênitas.

A Sífilis é uma doença contagiosa, causada por bactéria. Além do estágio latente, no qual não há sintomas, a manifestação da doença no corpo se dá em três estágios. Na fase primária, a doença se externa como lesões indolores (cancro duro) e que não coçam, nos órgãos genitais. Já na secundária, as lesões podem aparecer nas palmas das mãos, sola dos pés e no tronco. No terceiro estágio, a Sífilis demora mais a aparecer, sendo capaz de permanecer no organismo por décadas, afetando os sistemas neurológico, cardiovascular e vários órgãos do corpo.

Além dos três estágios principais, existem também a Sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou na hora do parto. “É importante que gestantes se atentem à importância do pré-natal e dos testes para detecção da doença no primeiro trimestre, no terceiro e na hora do parto. E esses exames devem ser feitos pelo parceiro também. O teste previne abortos espontâneos ou o nascimento do bebê com sequelas como a cegueira, problemas de audição, má formação dos membros inferiores, entre outros exemplos”, enfatiza.

Para diagnóstico da doença são utilizados exames clínicos, diretamente com médicos nas Unidades de Saúde, e testes rápidos ofertados gratuitamente à comunidade. A testagem – que também aponta reagentes para HIV, Hepatites B e C – é realizada com uma picada no dedo, para coleta da amostra de sangue, e em menos de 30 minutos o resultado já está pronto. Caso o resultado do reagente seja positivo, um exame laboratorial será feito para confirmar o diagnóstico. Se comprovado o contágio, inicia-se o tratamento medicamentoso com Penicilina e o acompanhamento da doença até a cura.