Por: Ricardo Gebeluca | 11/09/2019

 

Por Silvio Matheus

Há 18 anos, aviões sequestrados por jihadistas derrubavam o complexo de prédios conhecido pelas Torres Gêmeas, em Nova York nos EUA. O atentado deixou cerca de 3 mil pessoas mortas e 6 mil feridas com o desabamento do World Trade Center.

Mas as vítimas do fatídico atentado não ficaram apenas naquele ano de 2001. Anos depois, pessoas ainda sofrem fisicamente com as consequências do caso. Ainda hoje, moradores da cidade que estavam próximo ao local do atentado são diagnosticados com câncer.

A explicação é a nuvem de cinzas e resíduos tóxicos na qual algumas pessoas ficaram imersas no dia da tragédia.

Nova York ainda não terminou de contar as pessoas doentes de câncer e outros males graves, sobretudo de pulmão, ligados à nuvem tóxica que planou durante semanas sobre o sul da ilha.

Socorristas pagaram o preço

As dezenas de milhares de bombeiros, socorristas, médicos ou voluntários que trabalharam no dia no resgate de vítimas foram os primeiros afetados. Em 2011, 10 anos depois do atentado, um estudo publicado pela revista cientifica The Lancet mostrava que estas pessoas enfrentavam riscos maiores de sofrer câncer.  

Ainda mais, um censo do WTC Health Program, que é um programa federal de saúde reservado aos sobreviventes dos atentados de 2001, mostrou que 10.000 deles estão com câncer!

No fim de junho passado, mais de 21.000 sobreviventes tinham se registrado no programa de saúde, duas vezes mais que em junho de 2016. Desses 21.000, cerca de 4.000 foram diagnosticados com câncer, sobretudo de próstata, mama ou pele.

“É impossível para um indivíduo determinar a causa exata (de um câncer), já que nenhum exame de sangue vem com a etiqueta WTC”, mas vários estudos mostraram que “a taxa de câncer aumentou entre 10% e 30% nas pessoas expostas”, explicou à AFP David Prezant, chefe médico dos bombeiros nova-iorquinos.

E se espera que esta taxa aumente no futuro, em consequência do envelhecimento das pessoas expostas e a natureza de certos cânceres, como o de pulmão ou o mesotelioma, que demora de 20 a 30 anos para se desenvolver.