Por: Ricardo Gebeluca | 11/10/2018

O jovem de 18 anos, que teve a frase com a frase “eu sou ladrão e vacilão” tatuada na testa por dois homens em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, deixou a clínica onde fez tratamento contra vício de crack e álcool nesta quarta-feira (10). Ele recebeu alta, mas deve seguir recomendações para controlar a dependência química.

Foram quase 16 meses de tratamento desde que ele ficou internado em 13 de junho de 2017 na Clínica Grand House, em Mairiporã, na Grande São Paulo. Recentemente ele foi transferido para outra unidade, em Extrema (MG), de onde saiu em alta do tratamento.

Apesar de ter recebido a alta, esta segunda etapa do tratamento do jovem ocorreu de maneira voluntária, diferente do período inicial do tratamento, que só foi possível por intermediação da Justiça e da mãe, Vânia Aparecida Rosa da Rocha.

O tratamento a que o jovem foi submetido incluiu sessões de terapia à laser para a retirada da tatuagem na testa, que deverá ser continuada por ele mesmo fora da internação. “Ele estava internado de forma voluntária, já tem mais de 18 anos e pode tomar as próprias decisões, ele não estava mais aderindo ao tratamento”, disse a psicóloga Marcela Abrahao da Silveira, que coordenadora da clínica Grand House, responsável pelo tratamento do jovem.

Jovem tatuado na testa ficou 16 meses em clínca fazendo tratamento de desintoxicação — Foto: Glauco Araújo/G1

“Ele novamente se evadiu da comunidade, ele tinha ganho um celular da equipe e teve uma recaída, ele vendeu o celular para usar droga. Conversamos com a família, chamamos a mãe para uma reunião nesta segunda-feira. Inicialmente ela solicitou a internação via promotoria. Esperamos que a família ofereça todo o apoio e respaldo para o jovem.”

“Ele pede, não quer mais fazer o tratamento, quer voltar à sociedade. Ele não quer se tratar mais, chega uma hora que o profissional fica impotente, temos limitações como profissionais. Passamos todas as instruções para ele. Esperamos que ele volte a trabalhar e a estudar. Ele tem o direito de escolha de sair.”

Em nota, a Clínica Grand House disse que “hoje é o dia da alta. Após aproximadamente 1 ano e meio de tratamento esperamos que ele fique bem e que consiga utilizar as ferramentas obtidas durante o tratamento para a dependência química. Seu processo de recuperação continua, a luta contra a dependência química é diária, pois é uma doença crônica – ele deve buscar grupos de apoio (12 passos) e demais recursos disponíveis.”

Os responsáveis pelo tratamento até então disseram no documento que “esperamos que ele ponha em prática as estratégias aprendidas para que consiga lidar com situações de alto risco e que inicie esta nova etapa de sua vida com fé e sucesso. O tratamento para a remoção da tatuagem continua mesmo sem estar mais internado.”

O G1 procurou a mãe do jovem para falar sobre o atual momento do filho, mas ela não se pronunciou até a publicação desta reportagem. Segundo informações da clínica, o jovem optou por morar na casa de um tio, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.

Durante todo o tempo em que o jovem ficou preso, Vânia revelou ao G1 que enfrentou dificuldades para conseguir emprego.

Durante a internação, o jovem chegou a receber treinamento para conseguir trabalhar assim que tivesse alta. Ele chegou a atuar como monitor dos demais internos na clínica de dependentes químicos em Mairiporã.

Fonte: Portal G1