Por: Felipe | 28/09/2017

O promotor de Justiça do Piauí Francisco de Jesus Lima, que ingressou com ações após ter sido barrado em um evento realizado no Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), diz que a situação vivida no Estado foi o pior ato de racismo pela qual já passou. Segundo Lima, um dos seguranças pediu que ele aguardasse do lado de fora do hall de entrada para verificar a identificação, o que não teria sido exigido para nenhum outro participante da reunião.

Lima, que atua há 22 anos como promotor, conta que nasceu na periferia de Teresinha “pobre e preto”. A primeira profissão, aos oito anos, foi de engraxate e depois trabalhou como camelô. Depois da situação em Santa Catarina, que, segundo ele “pouco ou nada mudou em relação ao racismo desde a época do poeta Cruz e Souza”, ele ingressou com ação para que o MPSC adote ações de enfrentamento ao racismo institucional. Além disso, quer que os responsáveis sejam identificados e punidos por crime de racismo.

Em nota, o MPSC diz que “repudia, com veemência, qualquer acusação sobre práticas discriminatórias praticadas por sua equipe de Recepção e Segurança”. E acrescenta que “todas as pessoas não identificadas estavam sujeitas a serem interpeladas pelos agentes de segurança – devidamente treinados para abordagens – e caso fossem estranhas ao evento ou ao quadro de servidores do Ministério Público Catarinense, eram encaminhadas à recepção para o devido credenciamento, onde deveriam apresentar documentos de identificação”. O órgão acrescenta que no período do evento, Santa Catarina enfrentava ações orquestradas por facções criminosas, “o que demandou reforço técnico na estrutura e rigorosa atuação dos procedimentos de verificação por parte da Casa Militar do MPSC bem como pela Coordenadoria de Inteligência e Segurança Institucional (CISI)”. Na nota ainda consta que membros do MPSC, no dia 4 de setembro, buscaram informações junto aos envolvidos e ao promotor. E que em reunião realizada no período “os fatos foram esclarecidos e Francisco manifestou compreensão”.