Por: Ricardo Gebeluca | 14/08/2018

Aconteceu neste sábado o primeiro debate entre os candidatos a governador em Santa Catarina. A iniciativa partiu de uma rádio de Criciúma, a “Som Maior”, e foi transmitida em rede para várias outras rádios do estado. Participaram os candidatos Gelson Merisio (PSD), Leonel Camasão (PSOL), Décio Lima (PT), Mauro Mariani (MDB) e Carlos Moisés (PSL).

É a primeira vez que os cinco nomes concorrem a governador, sendo rostos novos para o eleitor catarinense. E esse foi justamente uma das falas predominantes, em especial por parte de Merisio, que casou a ideia com propostas: “Novo é romper com ciclos. Acabar com a ingerência política. Extinguir as regionais, esse modelo inchado e ligado com o atraso”, afirmou Merisio.

 

O incentivo ao empreendedorismo também foi tema central, em especial por parte da outra candidatura que tem polarizado as atenções ao lado de Merisio, a de Mauro Mariani (MDB). “Proteger e incentivar a indústria catarinense por políticas fiscais que ajudem e não penalizem por concorrência. O governo não atrapalhando é uma grande coisa. Mas precisamos estender um tapete vermelho para quem é empresário”.

 

“Eu não quero estender tapete vermelho pro grande empresário. Quero estender para o trabalhador”, rebateu Leonel Camasão (PSOL), que defendeu sua candidatura como cidadã.

 

O candidato Décio Lima afirmou: “Quero ser o governador das cidades”. Ele defendeu também, em vários momentos do debate, os governos nacionais do PT na última década, afirmando que avançaram muito e levantando críticas em relação ao atual governo de Michel Temer (MDB).

 

Um dos temas predominantes foi a Segurança Pública, em perguntas respondidas em especial pelos candidatos Gelson Merisio (PSD) e Carlos Moisés (PSL), coronel da reserva dos Bombeiros Militares.

 

Veja o que falaram sobre o tema e outros assuntos levantados no primeiro debate das Eleições 2018 em Santa Catarina:

 

Segurança Pública

 

Gelson Merísio (PSD)

“As nossas academias formam mil policiais como limite. Pelos meios tradicionais será impossível recompormoso efetivo. Defendo trazermos da reserva cinco mil policiais de forma voluntária, policiais com aptidão física, um grande número na reserva tem idades entre 50 e 55 anos, e que teriam vontade de voltar. Terei como principal bandeira a Segurança Pública, a importância de fecharmos as fronteiras para impedir a entrada de armas que abastecem o crime organizado.”

Comandante Moisés (PSL)

“Sou coronel da reserva dos Bombeiros. Sou bacharel em Direito e mestre em Direito Constitucional. A nossa proposta é muito clara: precisamos envolver a Universidade e parcerias público privadas para implementação real de um projeto que traga resultados ao cidadão e ao público jovem que possa inovar, produzir em sua cidade.”

 

Mauro Mariani (MDB)

“Temos que colocar primeiro mais dois mil policiais na rua. Repor os 600 que vão todos os anos para a aposentadoria. E no caso da polícia civil não é diferente. Precisamos de no mínimo mais dois mil funcionários. Precisamos dotar o efetivo necessário. Vivemos um momento crítico em Santa Catarina com as facções tentando se implantar no Estado.”
Saúde

 

Leonel Camasão (PSOL)

“A questão é muito focada no hospital. É importante ter hospitais, falta hospital regional em Criciúma enquanto na Grande Florianópolis tem mais de oito. Isso gera esse movimento das pequenas prefeituras com viaturas levando cidadãos para exames mais complexos. Infraestrutura descentralizada de fato e qualificação do pessoal”.

 

Décio Lima (PT)

“O processo atual exclui o povo catarinense da saúde. Porque não resolvem já. Eu vou entregar na terça-feira ao TRE nosso programa de governo, tem concepção do SUS e vamos criar o SUSC, Sistema Único de Saúde dos Catarinenses com políticas dos municípios, da saúde básica à alta complexidade, reunir a filantropia e todos os procedimentos com visão permanente pelo Estado”.

 

Mauro Mariani (MDB)

“Reorganizar o atendimento hospitalar no Estado. Vamos fazer parceria com o prefeito Clésio Salvaro e dar atendimento. Tem que ser fortalecido. Não só o São José, o Santa Catarina que está avançando na estadualização. Fortalecer os hospitais de referência será uma linha de ação do nosso governo”.

 

Assistência Social e trabalho

 

Gelson Merisio (PSD)

“Se eu for governador, não vou dormir enquanto tivermos uma pessoa em miséria extrema. Temos hoje 300 mil famílias que vivem com menos de R$ 80 por mês. Dar o mínimo de dignidade para a criança que vive hoje em uma palafita, para que tenha esperança de um futuro. Isso não é apenas do governo, tem que ser da sociedade. Santa Catarina pode alcançar a marca de ser o primeiro Estado que erradicou a miséria.

 

Décio Lima (PT)

“As obras mais importantes não são de concreto nem asfalto. São humanas, que promovem inclusão social. Fui um prefeito que não permitiu criança na rua, criou programas para terceira idade. SC precisa de um processo renovador, que o Estado não fique a serviço de cadeias produtivas. Quero ser governador para ter o povo como prioridade”.

 

Leonel Camasão (PSOL)

“O trabalhador não tem as mesmas condições de negociação com as grandes empresas. O que temos visto é a destruição dos sindicatos e o achatamento dos salários. Essa queda que o governo comemora no desemprego é porque as pessoas desistiram de achar trabalho. Vivemos período nebuloso da história e desesperança”.

 

Desenvolvimento Econômico

 

Gelson Merisio (PSD)

“Santa Catarina é um Estado empreendedor, trazer inovação para o Sul é fundamental. Isso se dá com infraestrutura e incentivo ao jovem, com acesso à tecnologia. Os Centros de Inovação são o caminho mais curto, podemos ter um em Criciúma, mas precisamos de outro em Tubarão, em Araranguá.”

 

Mauro Mariani (MDB): “O turismo responde por 13% do PIB e podemos avançar bastante, que seja uma das grandes fontes de emprego e renda do catarinense. Deus abençoou o nosso estado mas temos que atuar, o estado tem que ter mão forte no turismo, que deve ser trazido para o centro do debate no desenvolvimento econômico”.

 

Comandante Moisés (PSL)

“Nós temos que concentrar os esforços para prestigiar o produto local. O produtor local cresce, o retorno em tributos volta, é cíclico, selecionando por produto temos condições de prestigiar o produtor serrano de vinho, diminuindo incentivos para importar vinhos. O agronegócio. A essencialidade do produto com menor tributação”.

 

Gestão pública

 

Gelson Merísio (PSD)

“Dos 1,4 mil cargos comissionados vamos extinguir 1,2 mil. Acabou a geografia das urnas, que vigorou até aqui. Não haverá rateio porque nem existirão as vagas. A política de Estado implantada já foi concordada pelos partidos da coligação. A aliança se fez por convicções, pela construção de ideias”

 

Comandante Moisés (PSL)

“Se não fizermos a lição de casa dentro do setor público não podemos cobrar do mercado, conviveremos com corrupção e falta de investimento em educação. Quando o Estado não faz a tarefa de casa ele gera problemas para o cidadão. O Estado cobra o tributo mas não abre o próprio Estado, tirando sonhos dos cidadãos”.

Décio Lima (PT)

“Temos que renovar a estrutura do Estado para tocar as feridas do nosso povo. O saneamento é resultado de um descaso que permitiu quase a pilhagem da Casan, que não foi privatizada por muito pouco. SC é um dos estados mais atrasados em tratamento de esgoto. O caminho é fortalecer a Casan e uma verdadeira descentralização, dialogando”.