Por: Redação | 25/03/2021

Temos vivido tempos difíceis, talvez os mais difíceis da nossa história recente. Com a pandemia da Covid-19 vieram consequências sociais, econômicas e políticas sem precedentes – todas essas questões, apesar de já fragilizadas antes de todo esse caos sanitário, agora estão escancaradas. Percebe-se uma disputa de narrativas quanto ao que é “meu direito” e o que é “direito do coletivo”, entre o que é dever público e o que é direito privado. Esse texto é um convite à reflexão quanto a nossa vida vivida no coletivo.
Por exemplo: quando vemos alguém defendendo o não uso da máscara, alegando liberdade individual, temos aí um conflito do que é direito individual e interesse público. Quando vemos donos de estabelecimentos lotados, defendendo seu direito econômico – temos aí de novo um conflito entre o que é direito individual e o que é interesse público.
Mas o que é público e o que é interesse individual? Qual o limite entre um e outro?
O autor estadunidense do século passado, John Dewey, passou boa parte de sua vida pesquisando sobre a noção do sentido de “público”. Ele conseguiu reunir todas suas ideias e formular esse conceito (que é referenciado em várias obras há quase um século) em seu livro “The public and its problems”, ou “O público e seus problemas”, ele descreve que “[…] somos levados a observar que as consequências são de dois tipos, aquelas que afetam as pessoas diretamente envolvidas em uma transação e aquelas que afetam outras pessoas além das imediatamente envolvidas. Nessa encontramos o germe da distinção entre o privado e o público” (DEWEY, 1927, p.12).
Sob essa ótica, Dewey ainda continua seu pensamento procurando então o que é o Estado e a mais genuína, porém não final descrição, é que o Estado (executivo, legislativo, judiciário) é a organização responsável por cuidar e regular as ações realizadas por indivíduos ou grupos que afetam outras pessoas pelas consequências do que eles realizam (p. 39).

Dessa forma, percebemos que quando defendemos atitudes individuais, unilaterais, que afetam a coletividade negativamente, estamos contribuindo para que o caos que hoje está instaurado continue. Quando você não usa máscara e contrai a Covid-19, o vírus pode até não se desenvolver no seu corpo, mas você ainda assim vai transmiti-lo. Você talvez pode não parar em um leito de hospital, mas outras pessoas que tiveram contato com você sem máscara irão.
Quanto mais pessoas pararem nos hospitais e o sistema de saúde (público e também privado) não der conta, mais mortes teremos. Mais famílias ficarão sem o pai, sem mãe para colocar o pão dentro de casa. Mais vulnerabilidade haverá. Menos pessoas com poder aquisitivo para consumir haverá.
Não usar a máscara e não tomar vacina pode ser uma escolha sua individual mas as consequências são públicas, são sofridas por todos. Toda decisão individual que não pensa no coletivo produz uma consequência, contribui para o caos. Então antes de defender atitudes individuais e privadas, vamos contribuir para que o coletivo JUNTO saia dessa situação?

DIEGO CABALHEIRO
Analista de Relações Internacionais – Instituto Araxá de Inovação Social