Por: Ricardo Gebeluca | 28/07/2020

Tudo começou dia 27 de junho de 2020, quando percebi os primeiros sintomas, dor de cabeça, depois dor na garganta, você acha que não é nada, no outro dia surgiu a diarreia, fiquei preocupado, mesmo assim fiquei em casa, então perdi o paladar e senti um desconforto respiratório. Fui verificar a temperatura, febre 38.0°, a partir daí decidi ir ao médico; apenas em 01/07/2020 eu procurei o Centro de Triagem Covid-19 – nessa data foram atendidas 141 pessoas, informações da secretaria de saúde de Itapema –, passei pela consulta médica, saí de lá com a medicação para ataque inicial aos sintomas do coronavírus e o agendamento do teste rápido para 07/07/2020.

Lembro que na data do exame eu estava me sentindo muito mal… Colheram os exames, te fazem inúmeras perguntas, quando recebi o resultado (que sai em 15 minutos), positivo, meu coração começou a bater mais rápido, minha pressão aumentou, é difícil acreditar que mesmo com todos os cuidados que tomei minha condição atual é de infectado. Fui aconselhado pela médica de plantão ao sinal de qualquer sintoma de desconforto retornar ao Centro de Triagem. Fui para casa, creio que a confirmação de Covid-19 tenha baixado mais a minha imunidade, pois na manhã de 08/07/2020, por volta das 8h, fui tomar banho, nesse momento a falta de ar aumentou, desliguei o chuveiro, tentei me secar, consegui abrir a porta da minha suíte, senti minhas vistas escurecerem, fui em direção a minha cama, caí no chão.

Quando retomei a consciência, coloquei a roupa e agarrado às paredes pedi ajuda ao meu cunhado, que trabalha à noite e estava em casa aquele horário. Rapidamente fui levado ao Centro de Covid-19, da mesma forma fui atendido, nunca vou esquecer o atendimento que recebi, pelas técnicas de enfermagem, não sei os nomes, eu as chamo de anjos, e pela enfermeira Dilene, que prontamente chamou a médica; minha saturação era 78. Após exames clínicos, recebo a notícia que seria internado, deste momento em diante eu dependia 24h do auxílio do oxigênio; fui encaminhado de ambulância ao Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, para fazer uma tomografia computadorizada do tórax, retornando direto para o Hospital Santo Antônio de Itapema.

No quarto de enfermaria havia uma cara conhecida, meu amigo João, do Sertão do Trombudo, que trabalha na Secretaria de Turismo; ele estava na linha de frente, atuando na fiscalização de cumprimento das restrições de combate ao vírus; nesse momento meu fôlego ficou mais curto, a quantia de oxigênio já não era o suficiente… Por conta própria e por ser profissional da área da saúde, socorrista, não exerço a profissão há mais de 20 anos, mas sei como aumentar a litragem de oxigênio então o fiz, mesmo assim não era o suficiente, nesse momento entrou em nosso quarto o Dr. Clício, responsável pelo hospital, e disse: “estudos mostram que 50% das pessoas que são entubadas estão morrendo, eu quero que vocês reajam, respirem, não quero perder ninguém aqui!”.

Fechei meus olhos, por alguns minutos senti meu corpo flutuar, levei meus pensamentos em Deus pai, um transe que nunca tinha sentido antes, estendi minhas mãos, então falei: “Deus eu entrego minha vida em suas mãos, se for a sua vontade, me leva, eu suplico ao senhor que me dê mais uma chance de levar seu santo nome para quem não conhece e poder voltar para minha família”, nessa hora eu senti uma energia brotar em meu peito, comecei a respirar com mais facilidade, senti a presença de Deus, isso me acalmou, olhei para o João, que estava desesperado e falei, “Glória Deus, entregue sua vida nas mãos dele, ele está aqui nesse momento, Deus é maravilhoso ele irá atender seu pedido”, creio que João encontrou a paz, a partir daquele momento a calma se fez presente naquele recinto.

Eu que não conhecia o poder de Deus, estava maravilhado, sentia uma alegria enorme dentro de mim, recebi as medicações com fé, eu sabia que iria melhorar. Fomos transferidos para o Hospital Camboriú, eu e João permanecemos juntos, a partir daquele dia nos tornamos irmãos na fé, foram 5 dias juntos, João recebeu alta médica um dia antes de mim, que saí do oxigênio um dia depois que ele, tudo isso com sua família te assistindo de longe, sem poder dar um abraço e dizer um eu te amo de pertinho. Os profissionais da saúde se empenhando ao máximo para recuperar todos que ali estão, hoje eu sei que vocês são Anjos enviados por Deus.

Agradeço a Deus por permitir que eu conhecesse seus Anjos, médicos, técnicos e auxiliares de enfermagem, enfermeiros, a tia do cafezinho e da limpeza, todos os profissionais que atuam nos hospitais e Centros de Triagem do Covid-19, Anjos do Senhor. Obrigado a todos vocês!

Ajude quem você ama a viver, use máscara, lave as mãos, use álcool gel e se possível fique em casa!

Tenha fé, tudo isso vai passar!

Ricardo Gebeluca – Itapema, 27 julho de 2020.